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LANCES INICIAIS
LANCES FINAIS
arquivo mangue
Lote 087
imaginação que estrutura
arquivo mangue
Lote 087
Arrematada CADASTRE-SE
Lances iniciais em 19/10
imaginação que estrutura, 2025

Técnica mista – xilogravura, tecido e bordado sobre suporte precário

153 x 30 x 8 cm
R$ 4900,00
lance inicial
Confira os lances

arquivo mangue (2018) é um duo de artes visuais expandidas formado por Camila Mota e Cafira Zoé. Indicado ao Prêmio Pipa 2024, trabalha com arquivos vivos, cartografias multiespécie, imaginação cosmopolítica, f(r)icção especulativa, oavnis – objetos audiovisuais não identificados, makumbas graphykas, objetos de viração, seres-esculturas, suportes precários e ruínas. Pesquisa práticas de contra-colonialidade, teatralidades rituais e movimentos corais humanos e não-humanos, a partir de uma perspectiva não binária, com foco em biomas urbanos, territórios de reexistência e dissidências de gênero e sexualidade. Tem a encruzilhada como método, trabalhando com o tempo e suas materialidades encantadas. Investiga, ainda, as correspondências sinistras entre as práticas predatórias da mineração e da especulação imobiliária urbana. O sítio específico, a experimentação e o trabalho de ligação entre seres, povos, pessoas, cosmologias, pensamentos e circuitos são marcas da criação. Atua há quase uma década na luta pública e coletiva para abertura e regeneração do rio bixiga e criação de uma área verde no entorno do Teat(r)o Oficina, em São Paulo.

Em imaginação que estrutura (2025), o suporte conta uma história. É matéria viva, arquivo em movimento, estrutura, ponto de partida, chamado, chegada e também uma ficção fabulativa. A obra remete ao momento em que Lina Bo Bardi foi chamada para trabalhar na Ladeira da Misericórdia, em Salvador, e se deparou com impasses estruturantes, que levavam em conta peso e dimensões das máquinas, impacto na vida dos moradores e características das ruas. Tendo que imaginar uma saída, Lina encontrou a folha de capim-palmeira e imaginou com ela a direção que estruturaria as folhas de concreto que, com leveza e resistência, forjaram o Coaty. Enviou aos cuidados do arquiteto Lelé, em Salvador, uma caixa de sapato com a folha de capim-palmeira e uma simples direção: “Vamos fazer assim”.

A madeira que sustenta a xilogravura da folha de capim-palmeira foi encontrada pelo arquivo mangue no centro histórico de Salvador, abandonada entre entulhos. É definida como uma “talvez escultura” e como “objeto de viração, uma escuta de elementos e materiais, uma produção de feitiço que projeta no gesto ritos de regeneração e invenção para o corpo das coisas e o nosso (…) um marcador da passagem do tempo e da imaginação”. A xilogravura volta à madeira, as camadas de tempo se espiralam, as histórias se cruzam e a imaginação se dilata.