Lances iniciais em 19/10
Fragmentos de livro, couro e madeira. Ed. 3/3
Lucas Dupin (1985) tem no diálogo com os contextos em que trabalha o ponto de partida para suas pesquisas, voltando-se frequentemente para o universo do livro, da natureza e da transitoriedade do cotidiano. Seus trabalhos recentes exploram a materialidade do livro e seus modos de produção como base para obras em diferentes linguagens, tensionando modelos hegemônicos de conhecimento estruturados na racionalidade da palavra escrita e na hierarquização dos saberes.
Suas exposições mais recentes incluem Na soma infinita dos possíveis, Galeria Lume (2025), A parte pelo todo, Centro Cultural TCU (2023), Bibliofágica, deCurators (2024), Tempo-revés, Casa Firjan (2023) e 13ª Bienal do Mercosul (2022). Adicionalmente, o artista já participou de importantes prêmios de residências artísticas como, por exemplo, Pivô (São Paulo, 2019), 6º Bolsa Pampulha (Belo Horizonte, 2016), FAAP (São Paulo, 2017), FUNDAJ (Recife, 2015) e Banff Centre (Canadá, 2011). Em 2022 lançou seu primeiro livro monográfico, A parte pelo todo (PT/EN, 208 p.) reunindo uma seleção de trabalhos produzidos a partir de 2007 e textos escritos pelos curadores Cauê Alves e Élise Girardot. O artista é representado no Brasil pela Galeria Lume (São Paulo) e pela Galeria Murilo Castro (Belo Horizonte).
Sem título (lance de dados #3) (2024) faz parte da série Bibliomorfa e é composta por fragmentos de livros e couro. A obra é fruto da extensa pesquisa poética do artista em torno da natureza material e simbólica do universo do livro e da biblioteca.
Por meio de técnicas tradicionais como aquarela e encadernação, Dupin subverte enciclopédias e livros jurídicos e médicos – pilares do conhecimento ocidental e símbolos de um modelo baseado na razão – transformando-os em uma biblioteca orgânica e mutável.
Nas palavras da curadora Pollyana Quintella, “profanar o livro: manipulá-lo, cortá-lo, colá-lo, queimá-lo, pintá-lo; não para destruí-lo, mas para ir além e aquém de seu projeto iluminista, não encerrar no cânone da palavra as possibilidades políticas da linguagem”.




