Lances iniciais em 19/10
Feltro com lã de merino, macela – flor, cerâmica, esmalte acrílico
Sofia Lotti (1991) cresceu em meio aos deslocamentos entre o rural e o urbano, manifestando, desde a infância, o exercício contemplativo da natureza e a inclinação pela manipulação dos mais diferentes materiais. Sua formação é marcada pelo contato com diversas técnicas artísticas, que aos poucos foram se estruturando em imagens que revisitam e desdobram o gênero da paisagem.
A artista parte de imagens fotográficas feitas em seus deslocamentos e encontros com a natureza, adaptando as composições para as linguagens do têxtil, da pintura, ou dos desenhos com pastel seco, tríade que fundamenta sua prática. A pesquisa de Lotti está centrada na cor, de modo que a artista ressalta as qualidades luminosas a partir da manipulação dos pigmentos, criando seus próprios materiais, como o pastel seco e a têmpera. Com uma paleta mais expressiva do que realista, a artista cria áreas cromáticas sólidas bem definidas que interagem ora por contraste, ora por proximidade. Suas composições oscilam entre o reconhecimento das formas e sua dissolução no território da abstração.
O trânsito, no trabalho de Lotti, não é só perceptivo, mas processual, a levando a realizar residências artísticas fora do país e, recentemente, a retornar à sua cidade natal. Seu trabalho compõe coleções públicas de instituições como a Casa do Olhar Luiz Sacilotto, Santo André; a Oak Spring Garden Foundation (Estados Unidos – visita in loco); a New York Presbyterian Art Collection; e o Edifício Verde Cambuci, São Paulo; além de coleções privadas.
Paineiras no alto (2025) é uma tapeçaria produzida especialmente para a exposição O fiar – pontos, nós, corte, realizada na Casa de Cultura do Parque, em São Paulo. A imagem foi baseada em uma foto tirada pela artista no entorno de Poços de Caldas, registrando uma paisagem da zona rural localizada entre Minas Gerais e São Paulo, onde a artista cresceu e mora atualmente. Nas palavras de Lotti, “As paineiras floridas me situam na época do ano – fevereiro – e me tornam mais íntima”.




