Lances iniciais em 19/10
Chapa galvanizada martelada, aço inox e esmalte sintético
Matheus Freitas (1998) é artista visual cuja pesquisa transita entre escultura, design, joalheria, fotografia e poesia, tendo o ferro como matéria e metáfora. Aprendeu o ofício de ferreiro com serralheiros do Recôncavo Baiano, transformando técnicas populares e milenares em linguagem poética contemporânea.
Sua produção articula memória, espiritualidade e crítica às violências que marcam contextos periféricos, sempre em diálogo com o território. Esse vínculo se materializa em sua metodologia investigativa chamada Estudos das Formas, que observa a repetição de símbolos culturais, arquitetônicos e urbanísticos, assim como o próprio gesto de viver, revelando-os como matéria de criação. A presença do corpo, em estado de encantamento, torna-se elemento central desse processo.
O tempo e seus fluxos atravessam suas obras, que fundem tradição, experimentação e insubmissão como gestos de redesenho do futuro.
Brasil sem moldura (2025) integra a série Corrosão e Cor, dedicada à releitura crítica e contemporânea da bandeira do Brasil. Produzida em aço e aço inox, a obra parte de um processo experimental que combina técnicas de conformação a frio e coloração de metais. O gesto escultórico nasce da observação do território, do movimento e da velocidade de Exu Tiriri, revelando nas ranhuras e texturas da superfície metálica uma energia que se desloca entre o sagrado e o urbano.
O trabalho propõe um olhar sobre o símbolo nacional sem os contornos impostos pela narrativa oficial. A rigidez do aço e o brilho do inox tornam visíveis as contradições que sustentam o país — o poder, a violência e as estruturas que o mantêm. Brasil sem Moldura é um espelho de um Brasil que insiste em se estruturar entre a matéria e a fé.




