Lances iniciais em 19/10
Tinta gráfica sobre duas placas de vidro 3mm (monotipia)
George Teles (1997) é artista visual e pesquisador que vive entre Feira de Santana e Salvador. Sua produção transita entre desenho, gravura e pintura, atualmente voltada às impressões contemporâneas. Pesquisa memória, corpo e deslocamento, explorando como encontros com territórios expandem a gravura e a pintura em direção à agência das materialidades. Seu trabalho propõe diálogos entre técnica e experiência sensível.
É bacharel em artes visuais pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).
Publicou, em 2021, seu primeiro livro, Afetos da travessia. Entre suas exposições recentes, estão: Lambeduras, colisões e rotas de desvio, Centro Cultural São Paulo (2024); Duas Braçadas e Meia, RV Cultura e Arte, Salvador (2024); e Sidney Amaral: um espelho na história, Almeida e Dale Galeria de Arte, São Paulo (2022), sendo as duas primeiras individuais. É também diretor de comunicação e planejamento do Instituto Práticas Desobedientes, integrando desde 2019 o grupo permanente de pesquisa e criação do Instituto.
Em Resíduos do Oitavo Encontro 2 (2024), duas placas de vidro de 35 x 45 cm cada são sobrepostas. Elas carregam diferentes impressões de tramas manuais tecidas a partir de resíduos de linhas encontrados no trânsito entre cidades do Recôncavo da Bahia. O processo de coleta e caminhada reflete a experiência do corpo com o território e suas materialidades, além da relação entre presença e ausência, pensando nos corpos racializados que são impedidos de viver esses encontros.
Assim, o trabalho propõe um diálogo entre as materialidades, as técnicas e a experiência sensível. O ato de tecer manualmente os resíduos do mundo é uma operação que, para o artista, permite a manipulação de uma realidade em ruínas. O vidro, por sua vez, assume através da transparência o papel de criar intimidade com o invisível: revela o avesso da impressão, deixando à mostra a superfície oculta entre o corpo gráfico e seu suporte.




