Lances iniciais em 19/10
Óleo sobre linho
Fefa Lins (1991) é artista visual graduado em arquitetura e urbanismo pela UFPE. Sua pesquisa investiga o corpo e as tecnologias de gênero a partir da pintura a óleo, expandindo-se também para objetos e arquitetura. O artista já apresentou exposições individuais em São Paulo e Recife, entre elas Fração, Centro Cultural São Paulo (2025), Seis Bocas Abertas, Galeria Verve (2025) e Um Plano de Corte, Torre Malakoff (2024). Também integrou mostras coletivas em instituições como MASP, Pinacoteca do Ceará e Museu do Estado de Pernambuco. Seu trabalho faz parte de acervos como os da Pinacoteca de São Paulo, Museu da Diversidade Sexual, Banco do Nordeste e Soho House Art Collection. Fefa foi indicado ao Prêmio PIPA em 2022.
Fio de Alizarina (2025) integra a pesquisa contínua do artista sobre autorretrato e sobre a pintura como tecnologia de gênero, entendida como um campo capaz de produzir, tensionar e reescrever corporalidades e modos de existir. Aqui a figura se insere em um entorno que não corresponde a um lugar real, mas a um estado psíquico e de memória. É uma extensão do corpo que afirma a paisagem como subjetividade, e não como cenário.
A obra tensiona a tradição da figura reclinada, historicamente associada à representação de corpos femininos cis sob o olhar masculinista branco europeu, ao reinscrever essa pose a partir de um corpo transmasculino recifense. Ao assumir simultaneamente as posições de modelo e autor, Lins busca desestabilizar a hierarquia entre quem pinta e quem é retratado, questionar os sistemas de representação e reivindicar o direito de inventar sua própria imagem.
O trabalho foi realizado durante residência no Pivô Salvador, situado no antigo ateliê do pintor baiano Presciliano Silva.




