Lances iniciais em 19/10
Óleo sobre cartão entelado
As obras de Gokula Stoffel (1988) nascem da atenção ao seu entorno. A familiaridade com os materiais é fornecida pelo contexto em que produz, e seus trabalhos são informados e alimentados pelo encontro e pela troca. A artista incorpora à produção tecidos que ganhou de presente, ramos de lavanda colhidos nas imediações de seu ateliê, exercícios diários quase meditativos, conversas com amigos e conhecidos. Estofados, urdiduras, resinas, fibras naturais e sintéticas compartilham o espaço em composições que articulam a execução livre com uma intensidade emocional palpável, numa pesquisa que atravessa suportes como pintura, escultura, tecelagem e desenho. Stoffel usa as mãos em um trabalho, pincel e linha de costura em outros, descobrindo uma ordem subjacente às suas obras, escorada não na fidelidade a uma técnica e sua execução límpida, mas numa prática sinuosa, que incorpora o acaso e as propriedades inerentes da matéria.
Suas exposições individuais incluem: Um lugar para a cabeça, Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo (2025); Thinking Hands, François Ghebaly, Nova York (2024); The Moon Between My Teeth, Elizabeth Xi Bauer, Londres (2023); Change-Change Project, Budapeste (2018); e Para-Sol, Pivô, São Paulo (2018). Entre suas exposições coletivas, estão: Corpos Terrestres, Corpos Celestes, Galatea Salvador (2025); Nunca só essa mente, nunca só esse mundo, Carpintaria, Rio de Janeiro (2023); Punk Alegria Tropical, Galeria Dândi, São Paulo (2019); Nightfall, Mendes Wood DM, Bruxelas (2018); e Individuation as an Instrument of Abstraction, Kunstverein, Berlim (2016).
Conversa de água e fogo (2024) sugere uma interação entre opostos que se transformam desde o mínimo contato. A ideia de diálogo entre esses elementos é representada pelas figuras humanas, que parecem imersas em algum tipo de tensão. A volatilidade e a impermanência desses elementos naturais sugere que essa comunicação não é fixa, mas algo que flui, se modifica e transforma, assim como as interações humanas.
A atmosfera etérea, incandescente e suada, elabora sobre a transcendência de matérias-convicções incompatíveis. A partir de um estado diálogo-vapor empático, o confronto se converte em oportunidade de crescimento e aprendizado mútuo.




