Lances iniciais em 19/10
Pintura e serigrafia sobre canva
O artista Alberto Pitta (1961) tem como elemento central de seu trabalho a estamparia têxtil e a serigrafia, embora também venha se dedicando à pintura e a obras escultóricas nos últimos anos. Com uma carreira de mais de quatro décadas, a produção de Pitta é muito ligada a festividades populares e dialoga com outras linguagens, como a indumentária. Seu trabalho tem uma forte dimensão pública, tendo sido o autor de estamparias presentes em blocos afro do carnaval como o Olodum, Filhos de Gandhy e o seu próprio, o Cortejo Afro.
Alberto Pitta participou de importantes mostras dentro e fora do Brasil. Dentre as individuais, se destacam: Outros Carnavais, na Nara Roesler, Rio de Janeiro (2024), Mariwó, na Paulo Darzé Galeria, Salvador (2023), e Eternidade Soterrada, organizada pela Carmo & Johnson Projects, São Paulo (2022). Dentre as coletivas, se destacam: 36ª Bienal de São Paulo (2025); Joie Collective – Apprendre a flamboyer, no Palais de Tokyo (2025), Paris; Bienal de Sidney (2024); e Um Defeito de Cor, no Museu de Arte do Rio (2022). Seu trabalho figura em coleções institucionais, como: Perez Art Museum Miami (PAMM); Museu de Arte do Rio; Museo de Arte Contemporaneo de Buenos Aires (MACBA); e Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador, Brasil.
Em Exu Funfun II (2025), a figura mítica de Exu é revelada por meio do tradicional branco sobre branco, recurso visual recorrente na obra de Alberto Pitta. A figura central, translúcida e serena, emerge como uma aparição luminosa sobre o campo vibrante de padronagens geométricas nas cores vermelho, amarelo e preto — tons que o representam e afirmam sua força dinâmica.
Na mão direita, o Ogó, o falo, símbolo da potência e do movimento; na esquerda, a cabaça, receptáculo da sabedoria e da comunicação entre mundos. O branco que reveste o corpo não apaga, mas acende — nele se insinuam inscrições e desenhos sutis, como se o corpo guardasse uma cartografia espiritual.
Ao fundo, a repetição dos triângulos constrói um campo rítmico que evoca os tecidos rituais e a visualidade das tradições africanas e diaspóricas. No rosto, a máscara africana reafirma a ancestralidade e o poder da travessia.




