Lances iniciais em 19/10
Fotograma impresso em gelatina
Leticia Ramos (1976) explora os limites da produção e da exegese da imagem analógica por meio de trabalhos de fotografia e filme — que também se desdobram em instalações, objetos, publicações e performance. Sua prática se direciona para as interseções estéticas entre o documental e o ficcional, se exercitando entre paisagens naturais e imaginárias, entre os discursos de registros históricos e os das figuras inventadas; e explorando a relação entre memória gráfica e a natureza do abstrato e do espectral.
Ao tomar como ponto de partida rigorosos processos técnicos e formais a artista emula aspectos de expedições científicas, mas tão somente para nos conduzir por objetos e temas ambíguos e atemporais. Nesse sentido, constrói inventivos aparatos fotográficos — como câmeras, maquetes e cenários — para pensar o uso desses suportes como elementos de especulação, representação e confecção de terrenos geográficos e poéticos.
Sobre planisfério fotograma 03 (2019), a artista diz: “Minha relação com o processo de investigação é muito intensa, pois há apenas um indício como ponto de partida. Preciso estar imersa no assunto que me interessa para encontrar um mapa que possa me levar a uma síntese formal. Nos trabalhos, a isso se soma a reinterpretação da técnica. O meio também é investigado e irá apresentar, posteriormente, as ferramentas estéticas que serão usadas para a construção da imagem”.




