Lances iniciais em 19/10
Pedra-sabão, pedra-talco, piche e ferro oxidado
Daniel Jorge (1991) é artista visual cuja prática se constrói no entrelaçamento entre corpo, território e reminiscência. Criado entre as vielas do Rio de Janeiro e atualmente morando em Salvador, entende sua trajetória geográfica não apenas como biografia, mas como método de criação.
Trabalha com escultura, instalação, performance e desenho e parte do escambo como gesto central — uma tecnologia relacional que opera entre memória e história. Seus trabalhos incorporam as negociações entre materiais como pedra-sabão, ferro oxidado, couro curtido e madeira carbonizada, evocando ofícios populares e corpos invisibilizados pelo discurso oficial.
Jorge cria esculturas que convidam ao exercício da subjetividade pelo tensionamento de tempo e espaço, peso e movimento, matéria e relação, e que operam como bandeiras ou marcos simbólicos de novos imaginários periféricos e rurais.
Em don’t rush, rust (2024), a escultura emerge como corpo de troca não apenas entre materiais, mas entre presenças.
A ferrugem torna-se véu: superfície tática que recusa o reflexo e escolhe a sombra como forma de permanência. A opacidade se coloca enquanto gesto político, uma camada de proteção que ecoa corpos escondidos nos interstícios do tempo. Já o ferro, enquanto matéria que lentamente muda de cor pela oxidação, vai criando sua própria linguagem.
A obra é composta por movimentos orbitais. Lentas como os anéis de Saturno, as partes giram sobre si mesmas numa gravidade silenciosa. Entre o toque e o disfarce, o corpo-escultura se dá e se oculta. Assim negocia, a cada rotação, o direito de permanecer.




