Lances iniciais em 19/10
Acrílica sobre tela
Do povo Wapichana, a produção artística de Gustavo Caboco (1989) se desdobra nas artes visuais, no cinema e na literatura. Em sua obra, encontramos dispositivos para reflexão sobre os deslocamentos dos corpos indígenas, os processos de valorização das culturas indígenas e o direito à memória. Parte importante de suas proposições acontece em espaços educativos, como escolas, universidades, centros culturais, comunidades indígenas e quilombolas. Desenvolve pesquisa autônoma em acervos e arquivos museológicos como forma de contraposição às narrativas hegemônicas da colonialidade.
Em 2001 fez o seu primeiro “retorno à terra” Wapichana e, além de ser autor publicado, participou de diversas exposições nacionais e internacionais, entre as quais a 34ª Bienal de São Paulo (2021), e assinou a curadoria do Pavilhão Hãhãwpuá na Bienal de Veneza de 2024 ao lado de Denilson Baniwa e Arissana Pataxó.
Jantar Surrealista (2025) faz parte da série Nas peles de papel ou mundo karaiwe, na qual o artista reflete sobre os aspectos sociais do sistema da arte, entre instituições, aparelhos culturais, artistas, colecionadores, galerias e críticos, a partir de uma perspectiva indígena. “Peles de papel” é como Davi Kopenawa se refere ao mundo não indígena, que depende do papel e da escrita para contar e validar suas histórias – diferente do Sistema das Artes indígenas, onde a memória se relaciona através do corpo. Na série, Gustavo aprofunda a pesquisa sobre as dinâmicas de validação dos artistas no mundo Karaiwe – não indígena.




