Lances iniciais em 19/10
Pigmentos naturais, acrílica e lápis aquarelável sobre linho cru. Ed. única
Julia da Mota (1988) é mestra em poéticas visuais (USP) e arquiteta e urbanista (USP/ENSA-Paris La Villette). Expôs seus trabalhos em instituições culturais e galerias no Brasil e na Europa, tais como Cité internationale des arts, em Paris; Casa das Artes, em Belém; Museu de Arte de Ribeirão Preto; Museu de Arte de Blumenau; Galería Fermay, Palma de Mallorca; LAMB Arts, Londres; e AMAC, Chamalières. Participou dos programas de residência artística Cité internationale des arts (2024), Pivô Pesquisa, São Paulo ( 2021), foNTE, São Paulo (2019), East London Printmakers, Reino Unido (2019) e LAMB Arts Billingbear, Reino Unido (2018).
Focada na pintura e na gravura, Julia da Mota desenvolve um trabalho intimista que tem origem principalmente em sua relação com o entorno imediato. Tomando como léxico elementos do minimalismo abstrato e da arquitetura, a artista busca uma abordagem fenomenológica do corpo feminino em relação ao espaço construído. Interessa-lhe especialmente o cruzamento entre as noções de paisagem, dualidade e fronteira.
Nascer (2024) faz parte da série Pele-território (2024 – atual), em que a artista trabalha com o conceito de pele como “o limite fino e resiliente que nos separa do nosso entorno imediato”, e também “aquilo que nos protege e garante que não sejamos um só com o restante”. Através da pergunta “até que ponto uma superfície deixa de ser corpo e começa a ser paisagem?”, Julia da Mota investiga em trabalhos recentes a percepção da pele não apenas como uma barreira física e protetora, mas como um limite dinâmico e expressivo que nos conecta a um território mais amplo.
A obra faz parte da pesquisa desenvolvida pela artista durante sua residência na Cité internationale des arts em Paris (2024), onde trabalhou com pigmentos minerais como terras brasileiras da Mantiqueira e a terra vermelha veneziana, além do azul ultramarino, um pigmento historicamente carregado de disputas de poder e território. Em Nascer, as noções entre paisagem e corpo se fundem nas sobreposições de camadas e de pigmentos em uma pintura diluída, abrindo espaço para algo novo — um nascer do sol, de um ciclo, ou de uma nova vida.




