FECHAR
PT / EN
LANCES INICIAIS
LANCES FINAIS
Ayla de Oliveira
Lote 029
Orayeyeô
Ayla de Oliveira
Lote 029
Arrematada CADASTRE-SE
Lances iniciais em 19/10
Orayeyeô, 2019

Encáustica sobre madeira

25 x 20 x 4 cm
R$ 5950,00
lance inicial
Confira os lances

A pintura de Ayla de Oliveira (1997) emerge de uma experiência espiritual e sensível, profundamente enraizada nas tradições da umbanda. Por meio de composições que evocam um amplo repertório, a artista constrói imagens de forte carga simbólica e energética, em que velas, frutas, flores, bebidas e oferendas se tornam manifestações tangíveis do invisível. Sua prática explora técnicas como encáustica sobre madeira e misturas de cera com óleo, criando superfícies densas e vibrantes, em que planos de cor operam como campos abertos, em constante transformação. A matéria pictórica, muitas vezes trabalhada em passadas imprecisas ou massas indefinidas, reforça a ideia de uma imagem em estado de travessia — entre a intenção e a intuição, entre o material e o espiritual. Ao articular a fé, o culto e o afeto, a artista trabalha com uma poética que se oferece como ícone e talismã. Suas obras propõem um espaço de contemplação e reconexão, reafirmando a arte como campo de expressão da presença, do sagrado e das forças ocultas que moldam o mundo.

Orayeyeô (2019) surge a partir de uma experimentação da artista com a encáustica, uma antiga técnica de pintura que utiliza cera quente como aglutinante para os pigmentos, resultando em blocos densos de cera colorida.

O título da obra vem de “Ora Yê Yê Ô” que é a saudação de Oxum, Orixá das águas doces, da fertilidade, prosperidade e amor. Na composição, podemos observar um conjunto de vasos e um melão em meio a um horizonte com flores na parte superior. Há um contexto poético em que se sugere uma relação sagrada entre os elementos, uma vez que o nome da obra pontua uma ritualística afro-brasileira. Mas ao mesmo tempo em que se sugere algo sagrado, não se representa o ato em si. O interesse formal se dá em explorar a forma e as cores, cada uma com a sua predominância. As relações cromáticas são dadas a partir das cores primárias e secundárias, onde o amarelo, azul e verde se destacam em meio aos vasos terrosos. Num jogo de planos e áreas de cor, as linhas também se destacam, ora feitas com a própria cera, depositada com um fino pincel, ora arranhadas com um palito, revelam o fundo amarelo sobre a madeira. O trabalho tensiona a poética do imaterial com a técnica da encáustica, que evidencia a materialidade da obra.