Lances iniciais em 19/10
Cerâmica esmaltada
Geovana Côrtes (1996) é artista visual, doutoranda e mestre em artes visuais na linha Processos de Criação Artística (EBA-UFBA) e graduada em comunicação social (UFBA). Além disso, possui formação complementar no Laboratório de Programa de Formação Internacional em Práticas Artísticas pela Uncool Artist (2020). Em sua trajetória, realizou exposições nacionais e internacionais, como a individual bicho metamorfoseante na A Galeria (Salvador, 2024) e as coletivas Do write [right] to me (Nova Iorque, EUA, 2021) e Casa de Mulheres no Museu de Arte Moderna da Bahia (Salvador, 2024). Participou de publicações como Desvio (Rio de Janeiro, 2024) e REVISTA ABOIO #1 (São Paulo, 2022). E também integrou projetos coletivos e residências artísticas como a do Pivô Salvador (2025), CAB (2023) e ZONA FLUXOS (Salvador, 2022).
arranjos para espalhamento (2025) nasce da vivência da artista enquanto residente do Pivô Salvador, quando se propôs a pensar o quintal como uma membrana porosa de troca entre seu corpo e os corpos mais-que-humanos, elaborando, nessa troca, o conceito de multiespécie, e se interessando especialmente pela presença das formigas e da aroeira.
Ao ler A revolução das plantas, de Stefano Mancuso, Côrtes se interessou especialmente pelo movimento das sementes da espécie Erodium cicutarium, que saltam da planta-mãe para se espalhar, aproveitando o movimento de outros corpos para se deslocar por quilômetros, proliferando-se, criando novos deslocamentos e alterando os territórios em que se alojam. Geovana viu na estratégia dessa espécie o que procura como artista: no movimento de se atentar ao que existe para além do funcionamento humano e de criar em comunhão com os seres mais-que-humanos, surgem suas obras de arte que são, para ela, como sementes que saltam de seu corpo e ganham o mundo, criam narrativas sobre si, crescem e soltam outras sementes que já não dependem dela, de seu corpo e sua fala. São, em si mesmas, a potência da criação.
As esculturas do tríptico emergem desse encontro com as formigas, a aroeira e os seres que inventam modos de viver e proliferar. Ou seja, criam arranjos para o espalhamento.




