Lances iniciais em 19/10
Bordado com linha sobre tecido de algodão, moldura em madeira e gesso dourada em ouro
Sol Casal (1984) vive e trabalha em São Paulo. É bacharel em artes visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2008).
As pesquisas empreendidas pela artista permeiam as linguagens da fotografia, performance, vídeo e instalação, utilizando elementos e símbolos retirados do imaginário místico e religioso, associados muitas vezes às tradições populares do fazer manual. Além disso, utilizam como objeto de investigação o próprio corpo da artista, com o intuito de discutir as relações de representação e apresentação do corpo feminino na contemporaneidade.
Entre as exposições de que participou, se destacam: CONTRAMEMÓRIA, Theatro Municipal de São Paulo (2022); Transbordar: Transgressões do Bordado na Arte, Sesc Pinheiros, São Paulo (2020); e TRIANGULAR Arte deste Século, Casa da Cultura da América Latina da Universidade de Brasília (2019). Em 2019, realizou sua primeira individual em São Paulo, intitulada CÉUS CRUZADOS, no Ateliê 397. Participou também das residências Pivô Arte e Pesquisa (2019) e Residência Artistica Transmetatlanticus Portugal/Brasil – Brasil/Portugal (2020).
Seu trabalho compõem os acervos das instituições, Fundação Vera Chaves Barcellos; Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul e Universidade de Brasília.
Nossa Senhora do Leite e do Bom Parto (2023) é um bordado realizado à mão, por aproximadamente um ano, que culminou por abranger todo o período de gestação da artista. A obra permite pensar nas articulações entre práticas artísticas feminizadas (como o bordado) e o modo como, nas sociedades contemporâneas, o tempo da vida das mulheres/ da maternidade/ do aleitamento é exógeno ao tempo do trabalho, da produção e do capitalismo. Assim, a obra reflete sobre a desvalorização do trabalho feminino pelas sociedades ocidentais.
A imagem parte da fotografia de uma escultura existente, porém pouco conhecida, e nos instiga a pensar sobre autoria, sexualidade, erotismo e representação do corpo feminino em uma sociedade patriarcal.
A moldura que integra o trabalho traz seios que se mesclam com arabescos Barrocos, ora se revelando e ora passando despercebidos.




