Lances iniciais em 19/10
Acrílica sobre tela
Filho de cubanos, Jose Ignacio Suarez Solis (1973) nasceu no Chile e chegou ao Brasil ainda criança, fixando-se na Bahia em 1974. É arquiteto formado pela Universidade do Oregon, com passagens por Nova York, Copenhague e Helsinque.
Sua trajetória combina arquitetura, desenho e escultura, com destaque para a pesquisa sobre materialidades e o uso do processo projetual arquitetônico como ferramenta metodológica da arte. Em sua obra, o artista investiga o imaginário mitológico de povos ancestrais e a ressignificação de materiais, criando deidades e estruturas totêmicas que dialogam com o passado e projetam futuros possíveis.
Entre suas exposições individuais recentes estão Dentro do Mato, na Borda do Mar (2019), Orí Tupinambá (2023), e Desperta, ferro! no Museu de Arte da Bahia (2025).
Bambu Primavera (2024) faz parte da série Bambus – que, por sua vez, integra a coleção dentro do mato, na borda do mar – na qual o artista reflete sobre uma paisagem urbana residual à ocupação humana: as encostas verdes que ainda salpicam a cidade de Salvador, plenas de bambuzais, licuris, coqueiros e dendezeiros. Ignacio enxerga a arte como um mecanismo de compreensão de mundo, uma ferramenta de apropriação de seu entorno, seja no seu contexto humano, seja no geográfico-territorial. Ao artista interessa pintar essas vegetações intersticiais urbanas, regulando a lente do olhar para suas distintas escalas e para a explosão de cores e nuances que o sol dos trópicos permite.
Nas palavras da curadora Alejandra Muñoz: “Os limites dos chassis tensionam algo muito maior, inapreensível, que está além do que cabe na superfície pintada, e a parcialidade dos objetos nunca colocados em sua integridade. (…) Essa pintura traduz certo nomadismo existencial, algo que não aceita facilmente o contingente. Não é uma figuração representativa, fácil, previsível, do que agrada. Ao contrário, explicita uma ausência de conformismo necessária para continuar adiante.”




