Lances iniciais em 19/10
Bloco de resina com comida e objetos encapsulados (banana, glitter, palito) e estrutura de metal iluminada. Ed. 1/5
Leandra Espírito Santo (1983) é artista visual, doutora e mestra em artes visuais pela ECA-USP. Sua prática se desdobra em escultura, instalação, performance, vídeo e fotografia, articulando múltiplos meios para investigar os efeitos dos processos industriais na formação da cultura. Criando dispositivos e experimentos visuais, a artista tensiona as fronteiras entre físico e digital, mecânico e orgânico, abrindo espaço para reflexões sobre percepção, comunicação e performatividade do corpo na era tecnológica.
Participou de exposições e prêmios no Brasil e no exterior, em países como França, Inglaterra, Estados Unidos, México e Portugal. Nos últimos anos, apresentou coletivas e individuais em instituições como CCBB-SP (2025), MAC USP (SP, 2025), MAC Niterói (RJ, 2023) e 13ª Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2022). Entre seus principais prêmios estão o Prêmio Histórico em Artes Visuais PROAC SP (2020), a indicação ao Prêmio PIPA do MAM-RJ (2016), o Prêmio do 42º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto (Santo André) e o Prêmio Secult Niterói (2014). Suas obras integram acervos como do Museu de Arte Contemporânea da USP e do Museu de Arte do Rio.
Em Banana Fatiada (2024), da série Natureza-morta (2011-24), uma fruta cotidiana é convertida em objeto de contemplação. A banana, cortada em fatias e atravessada por um palito, surge suspensa no interior de um bloco de resina translúcida, iluminado por uma estrutura metálica. O procedimento de encapsulamento, também presente em práticas científicas, interrompe o processo natural de decomposição, prolongando a existência do fruto e deslocando o gênero da natureza morta para um território em que arte, ciência e tecnologia se entrelaçam.
Ao fossilizar um alimento perecível — símbolo de uma cultura alimentar brasileira — a obra se inscreve na lógica de uma arqueologia do futuro, na qual vestígios banais do presente se projetam como registros materiais de uma época. A iluminação acentua esse paradoxo, aproximando a peça tanto da atmosfera de um experimento laboratorial quanto da sedução de uma vitrine. Dessa forma, Banana Fatiada conduz a uma reflexão sobre as fronteiras entre natural e artificial, vitalidade e morte, permanência e efemeridade.




