Lances iniciais em 19/10
Vara de bambu, linha, anzóis, arduino, controlador e motor. Ed. 2/5
Natalie Braido (1996) explora e questiona o conceito de tempo em sua obra. Experimenta com tecnologias, utilizando mecanismos e materiais que abordam a impermanência e os limites do mundo material. Sua prática considera aspectos biológicos e simbólicos da natureza, combinando materiais efêmeros e cotidianos para criar sistemas que investigam a poética da mutabilidade, instabilidade e falha.
Anzóis (2024) é um dispositivo composto por uma vara de bambu, dois anzóis e um motor que cria um movimento contínuo de aproximação e afastamento entre eles. O sistema, preso à parede, gera uma tensão permanente: a qualquer instante, o bambu pode se partir, rompendo o equilíbrio que sustenta toda a estrutura.
A obra parte de uma observação sobre o limite, físico e simbólico, das matérias e das relações. O bambu, tensionado entre o movimento mecânico e o risco de ruptura, encena um estado de espera e fragilidade constante. Há algo de cíclico e inevitável nesse gesto: uma força que insiste, que se aproxima do colapso e o evita por um instante. Esse trabalho integra uma pesquisa sobre mecanismos de tensão e resistência, em que o erro, o atrito e a iminência de falha são parte constitutiva do próprio funcionamento. Assim como nos sistemas da vida, o equilíbrio aqui é provisório, precário e vivo.
O trabalho esteve presente na exposição Diagrama de Fases – Natalie Braido, na Galeria Marli Matsumoto (2025).




