Lances iniciais em 19/10
Papel machê, feita com livros antigos dos sebos de São Paulo.
David Cevallos-Díaz (1986) ganhou em 2020 um prêmio do Centro de Arte Contemporânea de Quito, com uma pequena escultura em forma de Saturno negro, feita com as cinzas de suas obras anteriores. O júri achou interessante saber do que seria capaz depois de ter queimado toda sua produção. Na pandemia, em 2021, experimentou psicodélicos no contexto de cerimônias xamânicas nos Andes e na Amazônia, como yopo, kambo, DMT, xanga, bufo, ayahuasca, mescalina, cogumelos, sálvia divinorum, o que fez com que tivesse uma “emergência espiritual”. Em seguida, passou três anos realizando residências em São Paulo, em instituições como Pivô (2022), FAAP (2023) e Ybytu (2024) e, após esse período de trabalho material intenso, se cansou de produzir obras com as mãos, tendo agora o desejo de se voltar para a palavra.
Quando voltou ao Equador, em 2024, começou uma “grande cruzada pela paz no Equador”, viajando pelo país e levando consigo uma escultura grande, branca, lisa e perfeita de um metro de altura, que representa um ovo. Atualmente, está criando sua própria editora, chamada Kiosko, para publicar trabalhos que, após muitos anos, encontraram no formato de revista seu canal de saída. Além disso, vem articulando a possibilidade de oferecer experiências de residência artística em um lugar especial da serra equatoriana, uma fazenda cuja história tem cinco séculos de história, da era pré-colombiana até os dias de hoje.
As peças contidas em Coprólitos do Brasil (2024) são parte das obras feitas por Cevallos-Díaz ao longo dos três anos que passou no Brasil – no Pivô (2022), na FAAP (2023) e no Ybytu (2024) –, deixadas como vestígios em duas caixas. Nas palavras do artista, “as caixas são como um grande segredo, um tesouro do que fiz na minha estadia no Brasil”.




