Lances iniciais em 19/10
Madeira, papel, pastel oleoso, verniz, goma laca
Anderson Borba (1972) é artista visual que vive e trabalha entre São Paulo e Londres. Sua prática se estrutura no diálogo entre materiais industriais e gestos artesanais, explorando a tensão entre corpo, matéria e imagem.
Em sua prática, a madeira industrializada, junto de papelão, tecidos e impressos, é transformada por processos de entalhe, queima, pintura e prensagem. Desse embate surgem superfícies carregadas de marcas e esculturas retromórficas, que evocam corpos fragmentados, ruínas ou artefatos em constante mutação.
Seu trabalho transita entre o cânone da escultura e tradições autodidatas brasileiras, equilibrando reflexão conceitual e experiência sensorial. Nesse campo híbrido, o bruto e o delicado se entrelaçam, dando origem a formas que se situam entre o reconhecimento e o estranhamento.
Entre suas exposições, destacam-se I’ve Seen One of These, Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo (2022), Auroras em colaboração com Dudi Maia Rosa, e Pivô ao lado de Erika Verzutti, ambas em São Paulo. Em 2024 apresentou Thinking Hands com Gokula Stoffel (François Ghebaly, Nova York), e em 2025 realizou Secret Ceremony, The Approach, Londres, sua primeira individual na galeria.
Névoa Berry (2024) é uma escultura de parede criada a partir de uma mistura de mídias, utilizando um compilado de referências coletadas em revistas, panfletos de supermercados e fotografias feitas por Borba em mercados de rua de Salvador e Londres. Para a peça, o artista trabalhou e esculpiu a madeira, criando tensão ao transformá-la em algo quase não identificado, não específico e que demora a ser decodificado – mesmo sendo um material com que tem muita intimidade, entendo seus limites, potência e possibilidades. O título, Névoa Berry, parte de referências musicais como Purple Rain e Raspberry Beret, de Prince, e a cor púrpura, presente na obra, une o sagrado e o sensual pela fusão do azul, associado ao divino, e do vermelho, ligado ao carnal.




