Lances iniciais em 19/10
Madeira, mármore, óxido de ferro e tinta óleo
Oto Ferreira (1995) tem sua pesquisa primordial voltada à madeira – matéria e forma – evocando aspectos do realocamento de ofícios ancestrais, suas potências práticas e ideológicas. Madeiras advindas da construção civil, de podas ou de aquisição comercial, se tornam possibilidades para as diversas elaborações do artista, desdobrando-se em ritmos, cores, texturas e movimentos.
Em paralelo, Ferreira busca desenvolver uma crítica à ideologia hegemônica com referências ao sagrado, realizando formas que adentram paisagens abstratas, encenando e justapondo motivos do cotidiano e do sagrado afro-brasileiro.
Sua produção pictórica segue como a escultural, gerando abstrações por meio de paisagens: cor, perspectiva, gesto e transparência. Criando formas assíduas e etéreas, contrapondo a matéria escultórica.
Tempo (2025) faz parte da série A sagração da primavera, com referência primária a obra de Stravinsky. A busca pela forma representativa do tempo, aqui, se dá no paralelo entre o tempo da ação ritual e o tempo do observador.
O artista ressalta que Tempo toma motes de existência física dentro dos terreiros de candomblé. É Orisá, também conhecido como Iroko, a árvore, observador do passar de




