Revenguê IV (2021) integra uma série chamada Cartazes para Revenguê, na qual Cruz desenvolve experimentações gráficas em torno do encontro entre os planetas fictícios Revenguê e Plenér, parte da ópera espacial apresentada no Museu de Arte do Rio (2023) e na Pinacoteca de São Paulo (2025).
A partir dessa cosmologia, a obra investiga os trânsitos espaciais como metáfora para os deslocamentos e transformações humanas. O espaço sideral torna-se um campo de projeção para refletir sobre trocas, desejos e formas de existência.
A composição feita em tinta acrílica, carvão e pastel é estruturada sobretudo pelo diálogo entre o vermelho e o roxo num campo negro. Essas cores evocam uma passagem simbólica entre a libido, associada ao vermelho, e a mente, representada pelo roxo, sugerindo um trânsito contínuo entre impulso, pensamento e imaginação.
Yhuri Cruz (1991) é artista visual, escritor e dramaturgo, baseado no Rio de Janeiro. Elabora sua prática artística e literária a partir de proposições cênicas e instalativas que discutem arquivos históricos, ficções e fabulações da diáspora negra no Brasil e no mundo.
Trabalhando de forma expandida com escultura, desenho e filme, Cruz se dedica especialmente à longa série de performances intitulada Cenas Pretofágicas (The Emancipation plays). Sua última individual foi O Jantar: Uma exposição-cena, na Galleria Continua, e o artista recentemente expôs trabalhos no Smithsonian’s National Museum of African American History and Culture, na Pinacoteca de São Paulo e na Bienal de Havana, em Cuba.

EN



