Lances iniciais em 19/10
Cigarros e filtro de carro encontrado na rua
Juan Casemiro (1993) é formado em arquitetura pela Universidade Mackenzie e mestre em arquitetura pela FAUUSP, vive e trabalha entre Conceição das Pedras, MG, e São Paulo, SP. Em sua obra, o artista evoca experiências pessoais: os encontros amorosos, o luto, as incertezas; tanto na configuração dos trabalhos como nos títulos. São objetos encontrados nas ruas e em caçambas que, depois de um tempo convivendo no ateliê, onde o artista mora, se transformam em outra coisa. Uma espécie de organização da própria vida que fica evidente nos títulos dos trabalhos, com referências a trechos de músicas, poesias e mensagens de texto que recebe. Sua formação em arquitetura também influencia as escolhas dos objetos (em sua maioria oriundos do descarte da construção civil) e a própria estrutura das obras, que se assemelham a elementos como janelas, colunas, portas, etc.
Entre suas exposições individuais estão Onze Horas, Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo (2024); Retrabalho, MAC Niterói (2022); e Oito horas não são um dia, Museu Mineiro, Belo Horizonte (2022). E entre as coletivas: Bolhas Siderais e Espumas Siderais, Marli Matsumoto Arte Contemporânea, São Paulo (2021); 13ª Bienal de Arquitetura de São Paulo (2022); e Warm Sun, Cold Rain, Zsenne Art Lab, Bruxelas. Participou de residência artística em Bruxelas (the Bridge Project + Zsenne Art Lab + Elizabeth Xi Bauer Gallery) em 2023, e possui obras em coleções privadas e institucionais, como no MAC Museu de Arte Contemporânea de Niterói e no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.
Oscar III (2024) apresenta-se como um gesto de reinscrição da modernidade a partir do resíduo e da intimidade. O trabalho, feito com um filtro de ar-condicionado de carro e bitucas de cigarro fumadas por amigos, recria a silhueta do edifício Copan, marco da arquitetura moderna paulista, em uma superfície que condensa dois tipos de filtros diferentes: o que filtra a fumaça dos carros e o que filtra a fumaça dos cigarros. Assim, a obra desloca o ícone arquitetônico de seu ideal de pureza e monumentalidade ao simular o espaço da intimidade (os cigarros fumados por amigos). O trabalho opera uma inversão: aquilo que deveria ser filtrado (a fuligem, o fumo, o resto) é o que dá corpo à imagem.




