Antes (Teste para pedra de milha) (2021) parte da ideia da pedra de milha como um marco que indica uma distância e uma etapa de um percurso. Na obra, porém, esse marco é também um experimento: uma pedra é encapsulada em gelo e levada a uma praia, onde permanece exposta à possibilidade de ser atravessada por um raio.
O trabalho nasce da tentativa de produzir um fulgurito ou pedra-de-raio a partir de uma pedra comum, não apenas como vestígio de uma descarga atmosférica, mas como transformação efetiva da matéria. A expectativa era que, atingida pelo raio, aquela pedra deixasse de ser o que era e desse origem a outra formação mineral.
O bloco de gelo mantém a pedra em uma condição provisória, entre preservação e mudança. Enquanto sua forma se altera lentamente com o calor, outra transformação, imprevisível, permanece em potência.
O “teste” do título nomeia esse estado de espera. A pedra de milha não marca uma etapa concluída, mas o ponto em que um processo é colocado em curso: uma pedra diante da possibilidade de tornar-se outra. A obra apresentada é uma fotografia que integra uma série documental desse experimento, fixando em imagem a condição efêmera dos materiais durante esse estado de suspensão.
Natalie Braido (1996) explora e questiona o conceito de tempo em sua obra. Experimenta com tecnologias, utilizando mecanismos e materiais que abordam a impermanência e os limites do mundo material. Sua prática considera aspectos biológicos e simbólicos da natureza, combinando materiais efêmeros e cotidianos para criar sistemas que investigam a poética da mutabilidade, da instabilidade e da falha.

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