Lances iniciais em 19/10
Técnica mista
João do Nascimento (1995) é um artista baiano que usa a auto retratação como fabulação do corpo em sua totalidade. Sendo ele corpo-social-espiritual-material, sua criação de híbridos é a impressão de cópias desfragmentadas em desgaste, estruturadas por mecanismo, partes e pontiagudos, corpos minerais com partes feitas de território. É uma formação na tentativa de esculpir através da junção desses membros.
Como indivíduo, sempre um dispositivo híbrido, uma fusão de corpos histórico sociais e fisiológicos, o artista mergulha na criação de seus híbridos como um processo primordialmente condicionado pelo trabalho, diáspora, tempo e território. Na cosmologia africana, os seres híbridos são às vezes mensagem, às vezes divindade, ancestral, metáfora; símbolos que sobrevivem à diáspora, que estão presentes nas religiões matriciais e na cultura afro-brasileira, fontes das quais do Nascimento bebe. O artista usa a força da alegoria como processo de morfar seu corpo em diversas materialidades, pele, minério, máquina, arma, concreto.
Cabeça I (2023) faz referência às lideranças importantes que, na história do povo baiano, planejaram inúmeras revoltas, se tornando símbolos de resistência e justiça que representam, para as culturas de matriz africana, a força da cabeça. Do Nascimento acredita que tudo tem seu início aí, e que “se mantivermos a cabeça bem ‘armada’ estamos prontos para as batalhas que vão surgindo”. O artista pensa sua própria cabeça como arsenal. A obra já esteve na exposição Ecos Malês, Casa das Histórias, Salvador.




