Lances iniciais em 19/10
Afresco removido e transferido para linho
Pedro França (1984) é artista e trabalha desde 2013 em mídias diversas. O fio condutor de sua produção é o interesse por imagens alegóricas da sociedade contemporânea. As cenas construídas pelo artista possuem um sentido narrativo aberto, que não aponta exclusivamente a um fato ou episódio, mas combina e desloca elementos sugestivos, muitos deles implicados em iconografias diversas da história da arte e da cultura. Assim, em geral não há uma história única sendo narrada, mas um feixe de reminiscências e associações que o artista oferece ao público para que relacione aos seus desejos, experiências, medos e traumas.
Resistindo à demanda por eficiência e clareza, França atua do lado da ambivalência e da ambiguidade. A repetição de cenas e figuras entre inúmeros desenhos, pinturas e afrescos as transforma em imagens tão persistentes quanto os sonhos e profecias que atualizam temores e desejos inconscientes.
Recentemente, França tem se dedicado à produção de afrescos, buscando conciliar a criação imagética com os contextos sociais e arquitetônicos em que as peças existem.
Flautista (2025) foi realizado como um pequeno afresco em uma garagem usada temporariamente como ateliê. Foi retirado da parede e transferido para tecido usando uma antiga técnica de restauração. O desenho era um estudo para a figura de um flautista, baseado na lembrança de uma cena vista no dia anterior, e foi um dos pontos de partida para a criação de outro afresco que pode ser visto na exposição A Terra, o Fogo, a Água e os Ventos: Por um Museu da Errância com Édouard Glissant, no Instituto Tomie Ohtake.




