PHOTODRAWING (2021) faz uso das propriedades da matéria e da pesquisa sobre a imagem fotográfica para investigar a trajetória da luz sobre a superfície. Nas palavras de Leticia Ramos, “O papel fotossensível contém uma superfície prateada fixada em gelatina que cobre toda a folha. Quando essa prata recebe luz, ela oxida e escurece. Realizo, então, fotografias sem câmera, únicas, construídas de forma semelhante ao desenho, usando luz e sombra para criar esses ambientes. Coletivamente, as obras examinam o caminho da luz tanto no espaço quanto na fotografia”.
Ao pensar seu trabalho como “paisagens fictícias e impossíveis” em constante construção, Leticia Ramos questiona a autoridade histórica da imagem técnica e revela seus potenciais inexplorados. A obra esteve na exposição Leticia Ramos: Ruído, Mendes Wood DM, São Paulo (2022).
Leticia Ramos (1976) explora os limites da produção e da exegese da imagem analógica por meio de trabalhos de fotografia e filme — que também se desdobram em instalações, objetos, publicações e performance. Sua prática se direciona para as interseções estéticas entre o documental e o ficcional, se exercitando entre paisagens naturais e imaginárias, entre os discursos de registros históricos e os das figuras inventadas; e explorando a relação entre memória gráfica e a natureza do abstrato e do espectral.
Ao tomar como ponto de partida rigorosos processos técnicos e formais, a artista emula aspectos de expedições científicas, mas tão somente para nos conduzir por objetos e temas ambíguos e atemporais. Nesse sentido, constrói inventivos aparatos fotográficos — como câmeras, maquetes e cenários — para pensar o uso desses suportes como elementos de especulação, representação e confecção de terrenos geográficos e poéticos.

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