A imagem de Mexilhão do tempo (2025) veio de uma reportagem sobre como mexilhões são usados para medir a qualidade da água em vários países da União Europeia: é colocado um sensor na concha dele que se abre quando a água está limpa e se fecha quando está contaminada. Yamagata achou curioso o modo como uma criatura tão pequena ajuda a indicar a saúde sanitária de uma população inteira. Assim, quis trazer uma tecnologia que fosse a mais “primitiva” possível, mas ao mesmo tempo a mais complexa, falando sobre colaboração entre seres vivos de diferentes escalas no mundo.
Baseada em São Paulo, Yuli Yamagata (1989) é fascinada pelo que considera monstruoso. Em seu trabalho, utiliza têxteis tingidos à mão pela técnica shibori, fios e correntes, móveis reaproveitados, frutas e vegetais de plástico na criação de inquietantes assemblages escultóricas. Influenciada por mangás e pelo terror, lábios, polvos e globos oculares são símbolos visuais recorrentes em sua obra.

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