Lances iniciais em 19/10
Papel banhado em cera de carnaúba
Em suas esculturas e instalações, Iagor Peres (1995) orienta-se pela vontade de transformar a noção de coisa a partir de um processo de recategorização da matéria e de desorientação da percepção. Partindo de relações estabelecidas entre obra, ambiente expositivo e público, Peres atenta-se à gama de reações entre a matéria e as condições de umidade, temperatura e significado que as afetam. Tais configurações materiais traduzem o questionamento do artista acerca dos mecanismos produtores de diferença do pensamento branco-ocidental que incidem sobre a existência racializada. Sua experiência na dança reflete-se também na ênfase sobre o corpo e suas dinâmicas de aparecimento e retirada no espaço.
Entre suas exposições individuais estão Entresól, Pols, Valencia (2024); Adiar anoite, Futuros – Arte e Tecnologia, Rio de Janeiro (2024); Quando o raio bate na areia, Quadra, São Paulo (2023). Participou também das coletivas Un interstício en todas partes a la vez, AGUASS, Barcelona (2024); Emoção de lidar, Quadra, São Paulo (2023); Prêmio PIPA, Paço Imperial, Rio de Janeiro (2023), Possible agreements, Mendes Wood DM, Bruxelas (2022), e Ópera citoplasmática, MON – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba (2022).
Sem título (2025) faz parte da série de desenhos Linha de quebra, na qual o traço se dá na fissura da próprio meio que o sustenta, a partir do tensionamento limite entre papel, cera e gesto.




