Tropeço (2024) é uma série composta por doze pedras gravadas em metal, que nasce de uma memória de infância da artista, referente a um conjunto de pedras carregadas por ela durante a construção de sua casa. Convertidas em matrizes de gravura, as formas preservam um lugar sensível de memória, transformando um elemento ordinário em vestígio e imagem. Deslocadas para a parede, as pedras deixam de representar apenas um obstáculo físico e passam a evidenciar que todo percurso é atravessado por instabilidades. Assim, a obra propõe que se pense o caminhar como um processo construído por interrupções, desvios, quedas e retomadas, reconhecendo no tropeço não apenas um acidente, mas uma experiência que reorganiza o corpo, a memória e a direção.
Milena Ferreira (1992) é artista visual, mestranda em artes visuais pela UFBA, e vive em Salvador. Pesquisa gravura em diálogo com pintura, escultura e instalação, tendo a estética da ruína como referência de memória e pertencimento. Seu trabalho investiga como ruínas participam da construção da coletividade, do território e das identidades, criando imagens que situam a fragilidade como potência estética e política.

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