O Ex-voto (2025) acompanha o processo de cura do artista após um acidente no mar, e demonstra seu interesse pelas formas de devoção à vida. Além disso, retoma a tradição e inova no suporte, ao utilizar madeiras trazidas pela maré e de antigas construções.
Zé di Cabeça é José Eduardo Ferreira Santos (1974), artista visual e educador com formação em pedagogia, psicologia e saúde pública. José é fundador do Acervo da Laje – importante espaço cultural independente que converge arte, educação e memória no Subúrbio Ferroviário de Salvador, onde nasceu e vive.
A partir de uma oficina de xilogravura em 2018, sua pesquisa visual se expande em direção ao desenho, à pintura, à escrita e à colagem. Durante o contexto pandêmico, seu trabalho ganha nova intensidade e Zé di Cabeça – nome em referência ao apelido do pai – emerge com mais nitidez. O fazer artístico se impõe como resposta sensível aos apagamentos, perdas e silêncios que atravessam seu território, amadurecendo uma poética visual profundamente enraizada nas camadas afetivas de uma paisagem tratada como periférica.
Zé di Cabeça constrói uma estética em que a reinvenção de si e do entorno é pressuposto à existência da vida ordinária, da vida “vivida”. Seu gesto, radical e sutil, transforma o que já foi em narrativa, o que parecia perdido em linguagem. Uma arte que planta, brinca, acende velas, inventa altares, desenha galos e, acima de tudo, afirma que o futuro também pode nascer do que se escolhe lembrar.
O trabalho do artista já foi apresentado em exposições coletivas em instituições como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o Museu de Arte do Rio, o Escritório das Nações Unidas em Genebra, Suíça, o Museu das Favelas, São Paulo, o Itaú Cultural, São Paulo, o Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, e a Casa das Histórias de Salvador, Bahia.

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