Sem título (2019) faz parte da série Memórias de renda, composta por desenhos em nanquim sobre papel e na qual Lisbôa investiga o desenho como gesto de costura da memória. Por meio da repetição paciente da linha, a artista constrói tramas que oscilam entre o orgânico e o tecido, evocando rendas, peles, raízes, ninhos e cartografias afetivas. A acumulação de pequenos gestos faz do tempo um elemento visível da obra, aproximando o desenho das práticas do crochê, da cerâmica e da costura presentes em sua pesquisa. Mais do que representar memórias, a série as produz, transformando o ato de desenhar em um exercício de cuidado, permanência e reconstrução de biografias.
Lidia Lisbôa (1970) vive e trabalha em São Paulo. Sua prática se desenvolve em suportes distintos, sobretudo a escultura, o crochê, em performances e em desenhos. Sua pesquisa tem a tessitura de biografias como eixo fundamental, percorrendo os polos da paisagem, do corpo e da memória ao utilizar materiais nos quais se imprimem o gesto e a mão da artista. Resultado de uma prática artística constante que se mistura à vida, na obra de Lisbôa, a costura e a criação de narrativas se colocam como exercício de construção subjetiva e, portanto, de cura e ressignificação.
Lisbôa integrou a 36ª Bienal de São Paulo (2025) e realizou exposições individuais na Millan, São Paulo (2024; 2022); Museu de Arte do Rio – MAR, Rio de Janeiro (2024); e Sesc Pompeia, São Paulo (2023). Também participou do 37º Panorama da Arte Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM, São Paulo (2022); e da 13ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre (2022). Tem obras em coleções de instituições como ISLAA, Nova York, Estados Unidos; El Museo del Barrio, Nova York, Estados Unidos; Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS, Porto Alegre; Sesc São Paulo; Princeton University Art Museum, Princeton, Estados Unidos; e Pinacoteca de São Paulo.

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