Lances iniciais em 19/10
Acrílica sobre madeira de demolição
Zé di Cabeça é José Eduardo Ferreira Santos (1974), artista visual e educador com formação em pedagogia, psicologia e saúde pública. José é fundador do Acervo da Laje – importante espaço cultural independente que converge arte, educação e memória no Subúrbio Ferroviário de Salvador, onde nasceu e vive.
A partir de uma oficina de xilogravura em 2018, sua pesquisa visual se expande em direção ao desenho, à pintura, à escrita e à colagem. Durante o contexto pandêmico, seu trabalho ganha nova intensidade e Zé di Cabeça – nome em referência ao apelido do pai – emerge com mais nitidez. O fazer artístico se impõe como resposta sensível aos apagamentos, perdas e silêncios que atravessam seu território, amadurecendo uma poética visual profundamente enraizada nas camadas afetivas de uma paisagem tratada como periférica.
Zé di Cabeça constrói uma estética em que a reinvenção de si e do entorno é pressuposto à existência da vida ordinária, da vida “vivida”. Seu gesto, radical e sutil, transforma o que já foi em narrativa, o que parecia perdido em linguagem. Uma arte que planta, brinca, acende velas, inventa altares, desenha galos e, acima de tudo, afirma que o futuro também pode nascer do que se escolhe lembrar.
O trabalho do artista já esteve presente em exposições coletivas em instituições como Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu de Arte do Rio, Sede da ONU em Genebra (Suíça), Museu das Favelas (SP), Itaú Cultural (SP), Tomie Ohtake (SP), Casa das História de Salvador (BA).
Sem título (2025) faz parte de Velas, longa série do artista que transforma restos de madeira recolhidos nas águas do Porto das Sardinhas, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, em pequenas velas acesas, cada uma portando uma chama única. Feitas de madeira de demolição e pintura acrílica, as velas evocam ex-votos e gestos de devoção popular, acompanhando o artista em seu processo de cura após um acidente no mar. Entre o sagrado e o cotidiano, elas mantêm aceso o que insiste em viver, mesmo ao entardecer.
Obras desta série estão expostas na exposição coletiva A terra, o fogo, a água e os ventos – Por um Museu da Errância com Édouard Glissant, no Tomie Ohtake São Paulo, e na primeira exposição individual do artista, Zé di Cabeça – Porto das Sardinhas, no Pivô Salvador.




