Levante do Amanhã (2024) faz parte da série Utopia Original e foi feita utilizando fragmentos do livro Utopia selvagem, de Darcy Ribeiro. Através de fragmentos de imagens históricas e de uma pesquisa extensa sobre manifestações populares, a ditadura militar e o processo de anistia no Brasil, Wildson cria imagens ficcionais apoiadas em uma base histórica imagética. Questionando o conceito e a origem da Utopia Brasileira, utiliza técnicas de documentação para criar uma imagem documental-ficcional, debatendo temas contemporâneos e questionando a forma como contamos, documentamos e forjamos a história de um país. O trabalho estava na exposição solo Re-Utopya, na Embaixada do Brasil em Londres, como resultado do prêmio Breeze 2024.
Hal Wildson (1991) é artista multimídia e poeta, nascido no Vale do Araguaia, território-limite entre Goiás e Mato Grosso, região marcada por disputas de terra, memória e poder. Vive e trabalha em São Paulo.
Sua obra parte da experiência vivida no sertão do Centro-Oeste, atravessada por uma herança familiar mestiça, marginalizada e profundamente conectada às contradições da história nacional. Hal investiga arquivos, documentos, objetos e símbolos da construção do Brasil, tensionando narrativas oficiais e resgatando fragmentos de histórias silenciadas. Em sua poética visual, o artista revisita imagens e gestos fundadores do imaginário latino-americano, revelando as marcas do esquecimento forjado pelo colonialismo, pelo coronelismo e pelo extrativismo às margens do Rio Araguaia.
O artista parte da ideia de “reflorestamento do imaginário” para “reivindicar o futuro através das sementes que plantamos no passado”. Ao investigar o conceito e a origem da Utopia Brasileira, mergulha em uma pesquisa documental, elaborando uma imagem que mescla o documental e o ficcional para abordar questões contemporâneas e refletir sobre como narramos e registramos a história. As questões do seu lugar de origem são essenciais para entender a pesquisa de Wildson, que acredita que olhar para as histórias esquecidas do país é também curar feridas abertas de uma família marcada pela violência e pelo abandono do Estado.

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