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Marcela Cantuária
Lote 025
Lance inicial
R$ 87500,00
Marilene Villas-Boas, 2024
Da série Mátria Livre
Óleo sobre tela
120 x 151 x 3,5 cm
LANCES INICIAIS
LANCES FINAIS
Sobre a obra

Marilene Villas-Boas (2024) faz parte da série Mátria Livre, que Marcela Cantuária desenvolve desde 2016, com a proposta de reencantar figuras femininas que resistiram ao capital, ao colonialismo e ao patriarcado. A obra reencanta a imagem de Marilene Villas-Boas (1948–71), estudante de psicologia e militante da luta armada contra a ditadura militar. Integrante da Ação Libertadora Nacional (ALN) e, posteriormente, do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), viveu na clandestinidade e morreu em circunstâncias controversas após ser capturada por agentes da repressão, tornando-se símbolo da resistência ao regime. No centro da composição, uma mariposa assume a forma de bruxa e acolhe o rosto de Marilene, fundindo memória, metamorfose e espiritualidade. Ao apresentá-la como presença transmutada, e não como vítima, a obra opera como um gesto de reencantamento político, devolvendo visibilidade e permanência à memória de quem tentaram silenciar. A obra foi exposta na individual Boca da Noite, Cerrado Galeria, Brasília (2024) e na coletiva Trovoada, Galpão das Artes do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Sobre Marcela Cantuária

Marcela Cantuária (1991) é uma artista cuja prática se baseia na construção de narrativas visuais que recuperam histórias de resistência, especialmente aquelas protagonizadas por mulheres e por movimentos populares do Sul Global. Com cores vibrantes e uma estética que transita entre a tradição da pintura histórica e a cultura visual contemporânea, seu trabalho propõe contranarrativas ao colonialismo e ao patriarcado, ressignificando imagens e símbolos frequentemente apagados pela história oficial. Formada em pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EBA-UFRJ), Cantuária desenvolve uma pesquisa que articula política, espiritualidade e ativismo.

Seus trabalhos integram acervos de instituições como a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu de Arte de São Paulo – MASP, o Museu de Arte do Rio – MAR, o Pérez Art Museum Miami – PAMM e o Museu da Maré. Além disso, participou de residências artísticas em Portugal, França, Espanha, Estados Unidos, Uruguai, México e Brasil – experiências que expandiram sua prática e aprofundaram suas investigações sobre a relação entre arte, política e memória. Comprometida com a arte como ferramenta de transformação social, sua obra – ao mesmo tempo lírica e combativa – projeta imagens de mundos possíveis, criando espaço para narrativas insurgentes e reafirmando o poder da arte na luta simbólica do tempo presente.