Lances iniciais em 19/10
Óleo sobre tela
Clara Benfatti (1984) vive e trabalha em São Paulo. Graduada em educação artística pela Fundação Armando Álvares Penteado (São Paulo, 2010) e mestre em artes visuais pela Universidade do Porto (Porto, 2019), sua pesquisa é centrada em diferentes aspectos das relações que se formam nas cidades. Inicialmente pensando na metrópole tal como foi definida no século 20, o trabalho de Clara hoje trata das novas configurações urbanas, a cidade do século 21, enquanto território expandido. Em grande parte dos seus trabalhos anteriores, Benfatti se utilizou do desenho como forma primordial de materialização. Esses desenhos, antes muito figurativos, atualmente se desdobram em formas que flertam com a abstração para discutir essas novas cartografias através de técnicas antes inexploradas pela artista, como pintura a óleo e cerâmica.
Entre suas principais exposições individuais estão Tudo agora mesmo pode estar por um segundo, gruta, São Paulo, 2024 Inventário de Percursos Banais, Espaço AL859, Porto, 2019; e Outras Cidades, Zipper, São Paulo, 2015. Entre suas exposições coletivas, destacam-se Sudoeste, Noroeste, Lugar do desenho, Porto, 2018; Na ponta da vista, Galeria Ponder70, São Paulo, 2017; e Estruturas Imaginárias, Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande, 2014. Em 2013, ganhou um dos prêmios aquisição no 41º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, e seu trabalho também está presente na coleção do Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande.
Para Sem título (2024), da série Desertos, Benfatti parte da compreensão de mapas como representações formais de uma realidade estática – com informações, direções e conhecimentos sobre a superfície de um território – para abordar a dualidade inerente a eles: ao mesmo tempo em que buscam representar o mundo com precisão, carregam certa abstração. A partir disso, encontra na cartografia material apropriado para desconstruir territórios, atravessar fronteiras, traçar rotas imaginárias e desenhar lugares impossíveis. Para ela, “aqui não há lógicas hegemônicas nem protocolos de representação”. Na tela, apresenta uma paisagem que extrapola a localidade, convertendo o deserto em uma ideia universal.




