Vista da Lagoa (2025) representa uma paisagem inventada. É uma junção de memórias, que serviu de estudo para uma pintura de grande escala sobre madeira.
A produção de Tatiana Chalhoub (1987) é estruturada a partir dos parâmetros técnicos e formais da pintura e extrapola o plano bidimensional por meio da cerâmica, em relevos torcidos de superfície acidentada. A fusão entre imagem e matéria em seus trabalhos faz com que manchas de pigmento em acabamentos esmaltados ou oxidados ganhem contornos de paisagem ou natureza morta. Peças soltas, fragmentos e resíduos são processados em reinterpretações da natureza, da história da arte ou de anotações mentais, reunindo esses pedaços díspares num mundo marcado por matizes líquidos e tons aquáticos. Em peças suspensas entre ícones e atmosferas em pequena escala, Chalhoub abraça o acaso e a imprevisibilidade da prática de ateliê, projetando soluções pictóricas a partir de quebras, ruídos e desvios de processo.

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