A viagem do espírito #4 faz parte de uma série iniciada em 2024 que resulta da combinação de três caminhos: Primeiro, o adensamento de formas orgânicas, ícones e grafias, condensando-as em um novo tipo de elemento ou personagem que é, por vezes, associado por ele a divindades de um futuro imaginado. Segundo, a compreensão de Barbalho, depois de expandir o desenho para a tela, de que deveria abandonar a criação de formas totalmente novas em cada tela, e passar a repetir uma mesma forma elementar, embarcando nas combinações de técnicas e cores e no que a repetição pode provocar. E terceiro, a ideia de naves espaciais, que chama a atenção do artista especialmente pelo que pode dizer sobre nós: “Assim como nos perguntamos se os deuses são criações humanas ou não, o óvni, uma espécie de presença ausente, ao ser considerado não como externo a nós (alienígena), mas como um adensamento de signos criado por nós mesmos, serviria como máquina figurativa perfeita para minha pesquisa das linguagens e seus limites enquanto jogo oracular”, diz Barbalho.
Escritor e artista visual potiguar, Thiago Barbalho (1984) encontrou no desenho um modo de expressão que ele entende como a obsolescência da palavra. Trabalhando em diferentes dimensões e com diversos materiais, suas composições trazem aos olhos do público universos intrincados, em que formas e cores se entrelaçam e embaralham em narrativas fragmentadas capazes de abolir a relação figura e fundo. Barbalho entende o desenho como uma categoria filosófica que atravessa eras, linguagens e culturas. Suas obras integram coleções como a da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Instituto Paz, em Brumadinho, e Museu de Arte do Rio – MAR.
Dentre suas exposições individuais, destacam-se: Chants, Elizabeth XI Bauer, Londres (2025); Segredos e Feitiços, Nara Roesler, São Paulo (2024); Cacimba Nova, Casa de Cultura de Jardim do Seridó, Rio Grande do Norte (2024). Principais coletivas recentes incluem: Mapa da estrada: Novas obras no acervo da Pinacoteca de São Paulo (2022); Hand in Hand, Elizabeth Xi Bauer, Londres (2026); Rocambole, Pivô, São Paulo(2018) e na Kunsthalle Lissabon, Lisboa (2019).

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