Sem título (2022) faz parte do início da pesquisa de Franco a respeito da subtração — retirada de tinta — e surge no momento em que madeira e metal são incorporados à sua prática.
A artista busca paisagens, cenas e lugares que adentrem o desejo de pintar e, assim, criem um jogo entre abstração, figuração e deformação. Se interessa por paisagens que moram nas coisas, vibram no olho e são evocadas pelos gestos. Seu uso de diferentes suportes (madeira, tela, metal, entre outros) faz parte dos fluxos específicos de cada obra e contribui para a imprevisibilidade contida nas imagens criadas. O ato de pintá-las começa antes da chegada da tinta no processo, e as imagens são sempre consequências da pintura, não os motivos. Franco acredita que pintar uma paisagem é também evocar o desconhecido.
Heloísa Franco (1997) é bacharel em artes visuais pela FAAP (2018), e vive e trabalha em São Paulo. Desde 2020, tem explorado formas de fazer aparecer pela retirada de tinta. Interessa-se por imagens que moram na mão, que não são capturadas ou estabilizadas pelo olho e que habitam o subterrâneo, entre abstração, figuração e deformação. Em 2022, apresentou sua primeira individual Gênero: paisagem no Lanterna Mágica, do Projeto Vênus, em São Paulo.

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