translação (2025) é uma escultura em ferro e vidro que investiga o deslocamento como princípio de organização da matéria e constituição do espaço. A estrutura sustenta um sistema de tensões em equilíbrio instável, onde dois corpos orbitam um ao outro sem jamais constituírem um centro fixo. Mais do que representar um movimento astronômico, a obra procura instaurar uma experiência de translação, na qual a forma existe em constante relação com as forças que a atravessam. É o deslocamento contínuo que constitui o que se percebe como espaço e que organiza as relações entre corpos, astros e formas de vida.
O encontro entre o ferro e o vidro evidencia a convivência entre peso e leveza, opacidade e transparência, rigidez e fragilidade. Esses materiais deixam de ocupar posições opostas para operar como partes de um mesmo sistema relacional. A escultura propõe um campo topológico em que forma e matéria emergem das relações que estabelecem entre si, sugerindo que nada existe de maneira isolada. Assim, em translação o espaço não é um recipiente onde os corpos se movem; ele emerge do próprio movimento e das relações entre as coisas vivas. A obra foi exibida no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, na exposição coletiva UM TETO.
iahra (1993) trabalha com diferentes materiais-invólucro, buscando a forma a partir da experimentação, de processos e de abstrações. Desenvolve sua prática-pesquisa com base em uma poética topológica e em sua relação transdisciplinar com elementos que evocam envolvência, revestimento e tramas — tecido, papel, ráfia, concreto e vidro. Suas obras evidenciam tensões e conflitos entre matéria, forma, texturas e planos cromáticos, atravessadas por conceitos metafísicos e cósmicos.
Iniciou seus estudos em cursos livres na Escola de Artes Spectaculu e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. É técnica em design de moda pela Anhanguera e graduanda em escultura na Escola de Belas Artes da UFRJ. Foi artista residente na Elã, residência formativa no Galpão Bela Maré (2022), e no programa de residência do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (2020). Participou das coletivas Vida transbordante e os desejos do mundo, Solar dos Abacaxis (2023) e Histórias LGBTQIP+, MASP (2021), além de realizar sua individual na 33ª edição do Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo (2024).

EN



