Construída por meio de técnicas tradicionais como aquarela e encadernação, a obra Sem título (Leccinum Scabrum) (2026) da série Biblioteca por Vir é fruto da extensa pesquisa poética do artista em torno da natureza material e simbólica do universo do Livro e da Biblioteca. Dupin subverte enciclopédias e livros jurídicos e médicos – pilares do conhecimento ocidental e símbolos de um modelo baseado na razão – transformando-os em uma biblioteca orgânica e mutável.
Nas palavras da curadora Pollyana Quintela, “profanar o livro: manipulá-lo, cortá-lo, colá-lo, queimá-lo, pintá-lo; não para destruí-lo, mas para ir além e aquém de seu projeto iluminista, não encerrar no cânone da palavra as possibilidades políticas da linguagem”.
Lucas Dupin (1985) tem no diálogo com os contextos em que trabalha o ponto de partida para suas pesquisas, voltando-se frequentemente para o universo do livro, da natureza e da transitoriedade do cotidiano. Seus trabalhos recentes exploram a materialidade do livro e seus modos de produção como base para obras em diferentes linguagens, tensionando modelos hegemônicos de conhecimento estruturados na racionalidade da palavra escrita e na hierarquização dos saberes.
Suas exposições mais recentes incluem Na soma infinita dos possíveis, Galeria Lume (2025); A parte pelo todo, Centro Cultural TCU (2023); Bibliofágica, deCurators (2024); Tempo-revés, Casa Firjan (2023); e a 13ª Bienal do Mercosul (2022). Participou também de importantes programas de residência artística, como Pivô, São Paulo (2019); 6º Bolsa Pampulha, Belo Horizonte (2016); FAAP, São Paulo (2017); FUNDAJ, Recife (2015); e Banff Centre, Canadá (2011). Em 2022, lançou seu primeiro livro monográfico, A parte pelo todo, reunindo uma seleção de trabalhos produzidos a partir de 2007 e textos escritos pelos curadores Cauê Alves e Élise Girardot. O artista é representado no Brasil pela Galeria Lume (São Paulo) e pela Galeria Murilo Castro (Belo Horizonte).

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