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Péricles Mendes
Lote 003
Lance inicial
R$ 7000,00
Serpente do Rio Poti, 2026
Da série Epifanias - interfaces para paisagens ficcionais
Fotografia digital, impressão fine art, jato de tinta de pigmento mineral sobre papel 100% algodão Hahnemühle Photo Rag 308 g. Ed. 1/5
60,5 x 85,5 x 4 cm
LANCES INICIAIS
LANCES FINAIS
Sobre a obra

Serpente do Rio Poti (2026) faz parte da série Epifanias – interfaces para paisagens ficcionais e foi desenvolvida a partir de uma residência artística realizada na cidade de Teresina, Piauí. Na pesquisa atrelada à série, Mendes propõe a ficcionalização do espaço real por meio de uma intervenção ambiental efêmera, sobrepondo a figura de uma serpente à paisagem nordestina.

A serpente foi elaborada a partir de ossadas coletadas em saídas de campo nas cidades de Inhambupe, na Bahia, e Teresina. Esta coleta sensível, além de servir à obtenção da matéria-prima orgânica, foi ponto de partida para o reconhecimento territorial da paisagem, permitindo explorar o ambiente, estabelecer vínculos afetivos, identificar potenciais cenários fotográficos e perceber o espaço por meio da experiência sensível de habitá-lo.

Ao se apropriar de ossadas de animais mortos e transfigurá-las por meio da incorporação de componentes eletrônicos, o artista propõe transformar o índice de morte — ícone da seca que esteriliza extensas áreas do Nordeste — em um símbolo de fabulação e diversidade biológica. As ossadas são ressignificadas por manipulações estéticas e passam a associar-se a uma realidade fantástica e atemporal quando inseridas no contexto da paisagem nordestina, contaminando-se simbolicamente por uma fauna exuberante e viva. “Nesse sentido, ao deslocar o protótipo produzido durante a residência do CAMPO para as margens do rio Poti, em Teresina, busco evidenciar as áreas úmidas e a fauna exuberante que atravessam o Nordeste e estimular um imaginário capaz de superar o estigma da aridez, da escassez de recursos e da pobreza historicamente associada ao território”, diz Mendes.

Sobre Péricles Mendes

Péricles Mendes (1976) vive e trabalha em Salvador. É doutor e mestre em artes visuais na linha de processos criativos pela UFBA. Atualmente, pesquisa conceitos do ato fotográfico por meio de narrativas ficcionais e objetos cênicos (mise-en-scène). Além disso, promove cruzamentos conceituais e matéricos entre o orgânico e o artificial, e desenvolve estudos e ensaios sobre a paisagem soteropolitana.