A fogueira doce de quem carrega o fogo de um novo mundo (2025) é, nas palavras de Muniz Sodré, “um trabalho que simboliza o início de uma nova dimensão mais fantástica da pesquisa de Mulambö e que teve continuidade na pesquisa que o artista realizou durante o período em residência na Pivô Salvador”.
Partindo do conceito de “Pessoa-Planta” formulado pela escritora, professora e ativista surrealista martinicana Suzanne Césaire, em diálogo com as histórias de sua própria comunidade na Praia da Vila, em Saquarema, Mulambö busca compreender a relação entre o local e o global ao se debruçar sobre as possibilidades de reconstrução de mundos presentes nos surrealismos afro-atlânticos — cariocas, baianos, caribenhos e africanos.
A escultura em madeira apresenta uma mulher-cavalo-grávida que carrega na barriga as novas histórias e na cabeça, as histórias que nos fizeram chegar até aqui.
Um corpo de dimensão territorial transatlântico e transcendental de espaços heterogêneos e ambivalentes, de lugares onde a diferença, a indeterminação e o paradoxo remetem à própria elaboração da estrutura social.”
Nasceu João (1995) e cresceu Mulambö na Praia da Vila, em Saquarema, Rio de Janeiro.
Através da carnavalização, da fabulação e da construção de narrativas atlânticas, o artista apresenta pinturas, objetos, bandeiras, instalações, times de futebol, escolas de samba e memórias de família como mecanismos de reinvenção de mundos. “Não tem museu no mundo como a casa da nossa vó”, afirma.

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